terça-feira, 25 de agosto de 2009

A maluquice do leite que sai da gente*

Eu, como sempre, fico lendo, lendo e pesquisando muito pela net. Atualmente meu foco está em tudo relacionado a vida com um bebê e amamentação, esse ato tão lindo, tão sublime, mas também tão difícil e exaustivo.

Hoje me deparei com esse texto e achei de uma verdade absoluta. Queria compartilhar com vcs tb.

Antes, seguem fotos desse nosso momento, entre Arthur e eu, nós dois nos descobrindo, aprendendo amamentar e a mamar e estreitando esse laço entre nós.

Infelizmente não estou amamentando exclusivamente leite materno. Estou complementando com LA (isso é assunto pra um outro post que ainda não consegui escrever) mas peço a Deus todos os dias pra que isso não afete nossa amamentação até, pelo menos, os seis meses do Arthur. Não quero privar ele de receber LM até essa idade e também não quero que esse laço entre nós se desfaça tão precocemente. Sei que é um risco mas vamos conseguir! Tenho certeza!

Arthur 192A primeira mamada após o parto, já no quarto da maternidade. Mamando o colostro, sua primeira vacina.

IMG_2328-10 red Momento só nosso.

IMG_2395-73red Aplicando o método da Translactação. Recebendo o complemento por meio da sondinha, para que assim ele mame junto ao meio peito, estimulando cada vez mais minha produção de leite e pra ele esquecer que existe mamadeira nesse mundo. (Prometo fazer um post detalhado sobre isso em breve.)

A maluquice do leite que sai da gente.

Das coisas loucas da maternidade na vida das mulheres civilizadas, e não são poucas, a mais maluca é em relação ao leite que sai de nossos peitos.

Até nascer o primeiro filho sentimos o peito como se fosse uma bundinha sem qualquer furo, a bundinha perfeita, sempre limpinha, que não solta pum nem faz xixi, mas encanta os homens. Já nos primeiros sinais de nascimento dos peitos começam as piadas e nos sentimos mais mulheres, no sentido sexualizado da coisa.
Nenhuma adolescente pensa que aqueles volumes ali um dia serão reservatórios de leite, mamadeiras vivas que excretarão o precioso líquido cheio de hormônios humanos, vitaminas, proteínas na medida exata e que por meio deles os bebês terão atenuadas as fantasias de separação, simbiose e diabo a quatro. Ui que idéia, isso nunca passou pela cabeça de ninguém civilizado. Muito menos que maternidade e prazer são farinhas do mesmo sexo.

A primeira providência é comprar um sutiã, de preferência lindo, caro e que ajeite o volume de acordo com a moda. Já houve moda para tudo em matéria de peito certo. Peito já foi mais sexy bicudo e grande, bicudo e pequeno, sem bico e arredondado, minúsculo, enorme. No momento a onda é siliconado. Ah, registre-se que peito velho e caído nunca esteve entre os preferidos. Os em formato de pêra sempre foram discriminados.

Até que de repente, depois de muito prazer, ah sim eles dão prazer para nós também, não só para os homens, descobrimos no pós-parto a utilidade fisiológica dos peitos. Que confusão é para a mulher civilizada descobrir essa nova utilidade dos peitos. Como pode um bebezinho de boquinha tão minúscula abocanhar sem a menor delicadeza nossos peitos que só serviam para o amor sexual? E existe amor não sexual? Estariam os peitos destituídos de sexualidade durante a amamentação? Podemos curtir prazer com o parceiro na fase em que os peitos estão cheios de leite? Por que separamos tudo em saquinhos cartesianos? rsrs
E sai leite mesmo? Será? E se não der certo? Sai quanto? Sai quando? Por que não desce logo?

Olha só, não é só um buraquinho central, são vários!
Pronto, na primeira semana surgem as fissuras. O bebê puxa, nós travamos, retesamos. Tenta-se imitar a moça da foto, tão cândida amamentando, mas na prática é coisa de bicho, se bobear amamentar é coisa mais bicho do mato do que parir. Segurando empedra, soltando vaza, deprimindo, deprime-se a nova relação.
O mercado já tratou de produzir um bico de silicone que fica entre o mamilo da mãe e a boca ousada do bebê, bicho maluquete nada cultural. Ele puxa com uma força incalculável o suco de mãe. Desesperado ele nesse gesto busca, além de lutar pela sobrevivência, resgatar algo de vital da simbiose que vivia com ela na barriga.

Mas a mulher civilizada fica pasmada diante desse vigor e sofre, geme, pede ajuda externa, espreme, verifica, chama o marido e marca consulta no pediatra para arranjar uma solução e conseguir um atestado para usar a mamadeira. Ela duvida, duvida que é capaz de aleitar. Sequer sabia que bebês choravam tanto! Tão diferentes das bonecas da infância, necessitam tamanha quantidade de presença, presença de peito. Ela até que tenta, mas para algumas vencer a fase do colostro já vira delírio e iniciam a complementação com os leites artificiais antes mesmo de o bebê chegar aos 15 dias de vida.

A média de amamentação no Brasil está em torno de pouco mais de um mês. O precioso líquido sai conforme a demanda. Quanto mais o bebê mama, mais a mulher produz leite. Isso está comprovadíssimo e é assim entre todos os mamíferos, mas quem vence a cabeça complicada de uma mulher civilizada?

Cadê os mililitros? Peitos não deveriam vir com aquelas marquinhas que atestam quanto saiu de leite? Quanto ficou? E se chorou depois de mamar? E se brigou com o peito, esfregou o rostinho, irritou-se? E se não dorme? E se vomita? E se acorda à noite? E se dorme demais? E o peso? E se pesar de menos? E a cor? Será que acor está certa? Ah, tem cheiro, cheiro de leite! Tudo leva a mulher a acreditar que não tem leite suficiente, que seu leite é ralo, raro, insuficiente, uma mala leche.
E que mal tem dar uma mamadeira se isso acalma a necessidade que o bebê tem de resgatar seu eu simbiótico com a mãe e em contrapartida liberta a mulher adulta daquela agonia de reviver aqui fora parte do que viveu na gestação?

Ah pois é, aí é que está. O bebê na barriga não chora, não fica todo dia olhando na cara da gente e dizendo: sou seu; você agora vai ter que me carregar pendurado por longos dois anos e depois ainda ficarei no seu pé dizendo me leva, me beija, me brinca, me lava, me trata, me cuida, me educa.

Mas o que pega mesmo é esse início, o do me deixa grudar em você, me deixa te chupar, tirar teu suco até o fim.
A mulher civilizada sente-se literalmente sugada pelo bebê, está longe de entender os sentimentos de uma gata mansa, que fica lá horas amamentando e só sai para dar uma esticada, alimentar-se, beber uma água e voltar para a prole, está longe de compreender seus próprios sentimentos, suas dores de simbiose e separação. Ela quer resposta para cada choro, cada pum, cada vômito. Nada parece natural e fisiologicamente administrável diante de tantos artifícios culturais que criamos para colocar entre nós e nossos bebês.

Já nasce o filho queremos cortar o mal (ou seria o bem?) pela raiz.

* Texto de Cláudia Rodrigues, do blog http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com

6 comentários:

  1. É amiga, amamentar não é mesmo uma tarefa fácil, mas o mais importante para que tudo dê certo você tem, o desejo por amamentar o Arthur! Portanto acredite em você e siga em frente!
    No que precisar, sabe que estou aqui a seu dispor!
    beijos,

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  2. Oi, Flavia!!
    Muito legal o texto da Claudia Rodrigues.
    Tenta o Plasil mais um pouco... No início ele estava me dando sono, mas depois passou, acho que me acostumei a tomar. Mesmo assim, de vez em quando sinto que tenho menos leite do que em outros. Ontem, mesmo, o leite jorrava de três pontos diferentes quando ela soltou a pegada. Hoje, está flácido... Não sei o que acontece pra mudar assim de um dia pro outro. Água tenho tomado no mínimo 5 litros por dia. Quanto mais eu aguentar, melhor. Tente essas coisas, vai tentando conhecer seu organismo e tentando diminuir a quantidade do complemento. Não acho que ele vai te trocar pela mamadeira, pois já vi que você dá pela sondinha. Mas se for só o seu leite será melhor pra ele!
    Bjs.
    Pri

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  3. Adorei o texto...
    a gente se sente assim msm né, cheia de duvidas...
    eu, qnd estava gravida, achava q ia tirar de letra a amamentação pq minha mãe trabalha com isso então pensei q tudo seria super natural e magicamente facil... ledo engano... rs
    Logo no inicio meu bico rachou tanto que o leo engolia sangue, chegou a vomitar sangue um dia (imagina meu desespero) e doia, nao sentia mais prazer em amamentar, e por mais q tivesse minha mae ao meu lado sentia um pouco de vergonha de dizer isso pra ela, de pedir ajuda... veio então a solução do bico de silicone q pra mim foi uma benção, os bicos cicatrizaram e n sinto mais dor alguma... agora já quero me livrar deles !! rs

    Um bjao

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  4. Eu adorei o texto!!!!
    E as fotos.. babo!!!
    Acho que vc deve mesmo fazer um post falando tudo que aprendeu... será mais elucidativo que qualquer outro!!!
    Bjks nesse gostoso, já tô com saudades!
    Beta

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  5. Flavinha, o texto da Claudia é lindo! As fotos tb estão ótimas! Continue dividindo com as mamães a sua experiência! Tá mais que na hora de vc escrever sobre o seu treinamento no aumento de produção de leite, viu? Isso é cobrança sim! Dê detalhes! As mamães precisam aprender. É muito bom saber que de alguma forma eu te ajudei nessa empreitada!
    Bjs,
    Carol
    PS: Quando vamos marcar de nos encontrar? Vai ser um super evento: Lucia, Pri, Vc, eu...
    rs!

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  6. Oi Flávia !
    Bem, o meu Arthur nasceu prematuro, e já na UTI tomava NAN, além de leite materno. Mas eu insisti muito e consegui que ele mamasse no peito até oito meses. Tudo bem que não foi exclusivo, mas foi ótimo pra ele !
    Vá em frente...
    Queira amamentar, faça com prazer e vc vai conseguir !!
    Bjs, Flávia Thomé

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