Tudo começou no domingo, dia 05/07. Estávamos eu e Fábio vendo Fantástico e as primeiras dores começaram a aparecer.
Não dei muito bola, mas fiquei atenta à minha barriga pra ver se ela endurecia e se as dores viriam com frequência. E sim, a barriga ficava dura qdo as dores vinham, mas elas não estavam ritmadas. Algumas vinham de 10 em 10 minutos e outras chegavam a vir só uns 15, 20 minutos depois. Não botei fé.
Acabou o Fantástico, vimos aquele programa super “light” Jogo Duro e após isso fui pro meu torneio de Buraco online, que começaria a meia noite. Sim, pq nesses últimos dias de espera do meu Arthur, e com insônia, viciei (ainda mais) nos torneios de buraco do MegaJogos. E lá fui eu pra mais um torneio, só que dessa vez sentindo dores de contração.
Como estava na frente do computador, usei o Cronometrador de Contrações. Sim, pessoas, isso existe e eu usei. rsrsrsrsrs…
E entre uma canastra e outra, lixo, morto e batidas, e fui cronometrando minhas contrações. E o intervalo delas estavam mais regulares, de 10 em 10 minutos.
As dores eram completamente suportáveis. Tal qual cólicas menstruais. Estava empolgadíssima, pois estava vendo meu corpo dar sinais da chegada do Arthur e estava vendo que se aquilo ali que eram dores de contração, eu iria tirar de letra!! Quem não estava mto feliz devia ser meu paceiro no torneio…perdemos algumas partidas, afinal não estava nem aí pra fazer uma canstra real, eu estava curtindo minhas dores, feliz da vida.
As 3h da manhã o torneio acabou e fui dormir, talvez as dores iriam passar, talvez não…e foi isso que fiz. Dormi. Mas dormi só até umas 04:30h qdo acoredei com uma dor q não tive dúvidas: eu estava em trabalho de parto e o momento que mais sonhei nessas 40 semanas tinha chegado.
Fiquei quietinha só prestando atenção nas dores e suportando-as. Elas já estavam vindo em intervalos menores de 10 minutos. Não quis acordar o Fábio, mas acho que ele sentiu algo, e acordou. Falei: “Acho que é hj. To com muitas dores!!!”
Ele muito calmo, foi ao banheiro, fez a barba, e falava: “Liga pro médico”. Mas eu estava sem graça de ligar aquela hora da madruga e tb não queria ir “cedo demais” pra maternidade. Queria chegar já parindo.
Mas não teve jeito. Deu cinco da manhã eu liguei. Na verdade, eu queria primeiro ligar pra minha fiel escudeira e GO virtual Alessandra, mas não sabia se ela estaria de plantão ou se estaria dormindo em casa, então mandei apenas um torpedo dizendo que estava com contrações de 5 em 5 min e q achava q o grande dia tinha chegado.
Qdo falei com Dr MG ele disse pra eu ir pra Perinatal, pra ser examinada e aí os médicos de lá diriam como estavam as coisas.
E foi o que fiz. Tomei um banho bem quentinho e relaxante só mentalizando o meu parto, o meu colo do útero se abrindo pra passagem do meu bebê. Um misto de sentimentos: Dores, medo, preocupação, felicidade, ansiedade….tudo junto ao mesmo tempo!
Liguei pra minha mãe pra dar a notícia que ela já estava esperando há semanas e lá fomos nós pra Perinatal.
Depois foi hora de mandar um torpedo pra minha irmã dizendo pra ela estar preparada pra não trabalhar aquele dia…rs…
Qdo estavamos saindo de casa o Dr. MG me liga e disse que era pra eu já ser internada pois a maternidade estava lotada e ele já tinha conseguido um quarto pra mim. Aliás ele já estava lá me esperando e ele mesmo me examinaria no quarto.
Me deu um certo medinho. Dessa vez mesmo tive certeza: é hj que Arthur chega, após 40 semanas e 5 dias de espera.
E lá fomos nós até a maternidade e a cada dor que vinha eu me concentrava pra fazer dela uma dor suportável. Ia olhando pro reloginho do carro e a uma certa altura elas já estavam vindo de 4 em 4 minutos.
Chegamos na maternidade, demos entrada na internação. Muitas dores.
Enquanto havia lá várias mãezinhas de cesárea eletiva, lindas, de escova e maquiadas eu estava com cara de dor e vontade de me agachar a cada dor que vinha. E nada de priorizarem minha admissão. Falei pro Fábio falar que eu estava em TP e que tinha mtas dores. Que as meninas de cesárea eletiva que esperassem mais um pouco….kakakakkaka….esse era meu momento leoa tomando conta de mim. :)
E finalmente chegou a hora de irmos pro quarto, que na verdade foi uma suíte, já que a maternidade tava lotada. Ou seja, ficamos na suíte sem pagar nada mais por isso. Logo em seguida chega Dr. Mario me dando aquela camisola estilosa de bunda de fora e foi me examinar.
E aí, o meu relato de parto começa a mudar pelo que eu estava planejando escrever aqui.
Ele escuta o coração do Arthur primeiro e tudo ótimo, obrigada!
E aí chega a hora dele me examinar. E a mesma frase que eu já estava escutando a umas 4 semanas antes: “O colo do útero tá fechadinho e bebê muito alto. Vai ter que ser cesárea, pois dessa forma nem dá pra induzir”.
Pronto. O meu relato de parto não seria de um parto normal e sim de uma cirurgia.
Chorei ali mesmo na frente dele. Chorei muito mais depois que ele saiu. Poxa, não foi assim que idealizei a vinda do meu pequeno. Não foi assim que me planejei conhecê-lo, mesmo antes de engravidar. Mas não teve jeito.
E aí começava a pressão. Dr. MG queria fazer logo a cesárea, pois toda sua equipe já estava lá pronta e o centro cirúrgico tava bombando. Pra quem não sabe, a segunda feira é o dia preferido das cesáreas eletivas, pois assim o papai ganha licença maternidade integral (5 dias úteis da semana).
E aí comecei a pedir a ele pra esperar ao menos minha irmã chegar pra poder fotografar, já que ele tinha permitido ela entrar no CC pra registrar esse momento.
Só que minha irmã ainda estava no meio do caminho, vindo com meu pai e meu irmão. E ele dizendo que esperaria mais 10 minutos, mas mais do que isso não seria possível, pois tinham outras cirurgias lá pra contecer. E eu diza: “Deixa as cesáreas passarem a minha frente, meu parto não é de emergência pra termos tanta pressa”.
E nisso vem o maqueiro. Tadinho, falei pra ele que não iria naquela hora, q o médico tinha topado esperar mais. E ele foi embora. Não dá nem 5 minutos depois ele volta e qdo vi eu já estava deitada na maca e eles me colocando a touca e a sapatilha do centro cirúrgico. Chorava mais ainda, pois além de não ter minha irmã pra fotografar o parto, só teria minha mãe pra estar no berçario pra recepcionar o Fábio qdo ele fosse apresentar o Arthur pra família. E eu pensava: “E aquela festa no berçario que eu imaginei? Até isso vão roubar de mim?”
Fui pro CC e aquele ambiente frio e cirúrgico demais me deixou ainda mais nervosa. Dra. Cibeli, a pediatra, foi que me acalmou.
Eu só fazia procurar o Fábio por aquela sala e só sosseguei qdo vi ele bem atrás de mim.
Chega o anestesista e confesso q a sensação de perder a sensibilidade das pernas é mto ruim. Ficar naquela posição pra ser anestesiada tendo contrações é ruim demais! O anestesista doido pra me anestesiar pra eu poder deixar de sentir as dores e eu dizendo que queria sentir as dores pois eu queria parto normal. Sim, fui uma parturiente rebelde…rs…mas era mais forte que eu.
E qdo vi, tudo acontecia muito rápido. A todo tempo eu procurava o Fábio e pedia pra ele segurar minha mão, que graças a Deus, não foi amarrada na cama. Ia conversando com a Dra. Cibeli. Qdo me dei conta eles começaram a empurrar minha barriga pois Arthur estava alto demais. Nessa hora vejo uma mulher com a camera da minha irmã. E pergunto pro Fábio: Essa aí é minha irmã? Aí ele disse que não, mas que era a camera dela q a enfermeira estava usando. Ah bom….achei que a anestesia tinha me deixado grogue a ponto de nem reconhecer mais minha irmã.
Bem, minha irmã chegou quase no exato momento que estavam tirando o Arthur e aí, nãi daria tempo dela trocar a roupa e então uma das assistentes pegou a camera com ela pra fotografar.
E eis que chega a hora tão sonhada, tão esperada. Dr. MG abaixa o pano pra eu poder ver saindo de mim pela janelinha (como diz a Lu Brasil) meu filho. E eis que as 08:16h, como 3.600g e 49,0cm, Arthur aparece pra mim como um sonho. Todo limpinho, sem quase nada de vérnix caseoso. Cabeludinho e gordinho como eu imaginava. Apgar 9/10.
Arthur não chorou de primeira e isso me deixou aflita. Dr. MG trouxe ele pra bem perto de mim e eu só fazia falar: “Chora filho, mamãe tá aqui.” E logo ele chorou aquele chorinho mais lindo do mundo. [Pausa! lágrimas rolando lá e agora aqui relatando esse momento].
Aí foi a melhor sensação do mundo. Eu perguntava toda hora pro Fábio: “Tá tudo bem com ele?” E o Fábio respondia: “Sim…ele é lindo!”.
Logo levaram ele pros primeiros cuidados e qdo finalizou ele veio pro meu peito. Tentou sugar mas não conseguiu de primeira.
Depois foi a vez do Fábio ir ao berçário mostrar ele pra nossa família. E eu fiquei lá, esperando ser costurada pra poder finalmente ir pro quarto e lamber minha cria.
O tempo passava e eu lá de molho pós-cesárea antes de ir pro quarto. Sensação de impotência total, ainda mais não sentindo as pernas.
Acho que passou 1 hora e finalmente eu cheguei no quarto. Arthur chegou logo em seguida pra minha Felicidade. Ficou quase nada na incubadora.
Dra. Cibeli não fez o Teste de Credé, como eu havia pedido, até pq foi cesárea né?
Logo que chegou aquele pacotinho, ele veio pros meu braços mamar. Que coisa linda. Doía muito, mas ver aquele pequeno se alimentar de mim e sentir meu aconchego é indescritível.
E aí começava nossa vida de Família de Três. Muitas descobertas, muitas emoções, muito aprendizado.
Enfim, esse é meu relato de parto.
A partir de agora o dia 06 de Julho é um dia de muita comemoração pra nós!
Seja bem vindo, filho! Nós te amamos muito e papai e mamãe estarão empenhados em fazer de você um homem de bem. Obrigada por existir em nossas vidas!
Bjs, Flávia.
